quarta-feira, 26 de março de 2014

Longe da velha forma, Axl Rose agrada fãs durante show em Brasília

Lucas Nanini Do G1 DF
Músicos da banda Guns N' Roses durante show em Brasília (Foto: Lucas Nanini/G1)Músicos da banda Guns N' Roses durante show em Brasília (Foto: Lucas Nanini/G1)

  Axl Rose

Axl Rose não tem mais a mesma voz, não se movimenta no palco como antes, não troca de roupa a cada música, nem mesmo tem ao lado os mesmos colegas. Mesmo assim, 29 anos depois do início, o líder dos Guns N’ Roses ainda é capaz de atrair e entreter o mesmo público que fez de sua banda fenômeno de venda e um dos principais responsáveis por recolocar o rock nas estações de rádio no fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990.

O show que a banda fez nesta terça-feira (25) no ginásio Nilson Nelson, em Brasília, teve quase três horas de duração e praticamente as mesmas músicas que compõem o repertório desde que Axl e sua trupe lançaram “Chinese Democracy”, em 2008, depois de 27 anos sem um álbum com material inédito.

A música que dá nome ao mais recente trabalho abriu o show. Em seguida, a banda emendou três das composições mais conhecidas do álbum de maior sucesso da carreira, “Appetite for destruction”, lançado em 1987. “Welcome to the jungle”, “It’s so easy” e “Mr. brownstone” esquentaram o publico que lotou o ginásio e apontou celulares na direção do palco.

Explosão e fogo durante a música 'Live and let die' no show do Guns N' Roses em Brasília (Foto: Lucas Nanini/G1)Explosão e fogo durante a música 'Live and let die' (Foto: Lucas Nanini/G1)
 
A primeira boa surpresa veio com “Estranged”, do álbum “Use Your Illusion II”, com seus mais de dez minutos de nuances e mudanças de andamento, com aquilo que Axl chamou de “killer guitar” no encarte do disco original, lançado em 1991.

“Rocket queen” foi tocada com imagens de mulheres seminuas nos telões. Depois de “Shackler’s revange”, mais uma de “Chinese...”, começaram os duelos de solistas da banda, que esfriaram um pouco o público.
“Live and let die”, de Paul McCartney, foi a primeira das versões de outros artistas. Assim como em “Welcome...”, “You could be mine”, “Nightrain” e “Paradise city”, as explosões que deveriam ser um atrativo a mais acabaram ofuscando o som dos instrumentos e confundindo até mesmo a própria banda.
Na apresentação do baixista Tommy Stinson, mais um cover: “Holiday in the sun”, dos Sex Pistols, seguida por um “Happy birthday to you” para o baterista Frank Ferrer, que completou 38 anos nesta terça.

Chuva de fogos durante a execução de 'November rain", em show da banda Guns N' Roses em Brasília (Foto: Lucas Nanini/G1)Chuva de fogos durante a execução de 'November rain", em show da banda Guns N' Roses em Brasília (Foto: Lucas Nanini/G1)
 
O show teve ainda mais alguns solos, uma introdução de “Baby, i’m gonna leave you”, do Led Zeppelin, para “November rain”, com Axl ao piano, “Don’t cry”, “Civil war”, uma versão diferente de “Knockin’ on the heaven’s door”, de Bob Dylan, e “Nightrain”, para fechar o set.

Antes de todas essas, e depois de um solo do guitarrista DJ Ashba, a música que mais fez o público cantar e pular. “Sweet child o’mine” foi a música que mais fez os fãs sacarem seus celulares e direcionarem ao palco.

Músicos da banda Guns N' Roses se despedem do público após show em Brasília (Foto: Lucas Nanini/G1)Músicos da banda Guns N' Roses se  despedem do público (Foto: Lucas Nanini/G1)
 
No bis, uma introdução de violões ao estilo “southern rock” norte-americano seguido de “Patience”. A última boa surpresa veio com uma versão de “The seeker”, do The Who, que arrancou sorrisos e danças dos mais bem informados da plateia. Para fechar a noite, a de sempre: “Paradise city”.

Se o público não encontrou a sintonia perfeita entre o vocalista explosivo e o guitarrista que fala pelo instrumento, sustentados por uma cozinha rítmica própria – como acontecia quando Axl era acompanhado por Slash, Duff, Izzy e Matt Sorum–, pelo menos o time que entrou em campo era formado por gente competente.

Os atuais "gunners" não fizeram feio, apesar do virtuosismo excessivo dos guitarristas, o que descaracterizou alguns dos principais números. O tecladista Dizzy Reed, o único que acompanha Axl desde os tempos áureos, também fez bem a sua parte.

O som no ginásio não ajudou. Além das explosões com volume excessivo, em alguns pontos do Nilson Nelson um ou outro instrumento acabou encoberto pela massa sonora. A plateia, porém pareceu não se importar. Exatamente à 1h, os fãs começaram a deixar o espaço, satisfeitos por ter visto um dos nomes mais relevantes do rock de duas décadas atrás, ainda que desfalcado de algumas peças fundamentais.





FONTE: G1 - O PORTAL DE NOTÍCIAS DA GLOBO

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